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Active Media 2.0

Sunday, 12 October, 2008 ' 8:18 pm

O Future Places Festival é uma iniciativa desenvolvida pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto em colaboração com a Universidade do Texas, situada em Austin.

Durante o dia de ontem tive oportunidade de participar numa das workshops desenvolvidas no âmbito do festival denominada Active Media 2.0, orientada por Steven Devleminck e Boris Debackere.

A palestra abordou a convergência entre o artista multimédia no seu papel de catalizador de ideias, conceitos e cenários de experimentação, e a função que este, progressivamente, é forçado a assumir, como força motriz ou uma importante engrenagem na máquina de concepção técnica dos seus próprios projectos, obrigando-o a dominar todo um conjunto de linguagens e plataformas que, por vezes, põem em causa a conclusão do projecto ou tornam-no num processo moroso e frustrante.

A peça Come Out (1966) de Steve Reich, na qual é explorado o efeito de phase shifting, foi dada como exemplo para aquilo que foi, e pode ser, a experimentação multimédia na sua mais pura forma, recorrendo a objectos tão simples quanto um mero gravador de K7s.

Foi também ensaiada uma performance na qual um texto recitado pelos presentes foi gravado em buffer num applet programado em Max e, posteriormente, reproduzido e regravado em real-time, uma experiência que, recorrendo a equipamento sonoro de boa qualidade, permite que o som se altere gradualmente, salientando as características acústicas do espaço envolvente.

Durante a tarde foi-nos pedido uma reformulação do festival Future Places, equacionando o que é que, no nosso entender, poderia constituir um “festival do futuro”.

O projecto que desenvolvi com a designer de equipamento, Marta Sousa, possuía uma componente satírica e contra-cultural intitulando-se “Hidden Places”. O nosso evento não pretenderia substituir o festival tal como foi concebido nesta edição mas sim complementá-lo, tomando de assalto um espaço repleto de potencialidades que, no nosso entender, permanece total, ou relativamente, virgem a nível expositivo, o WC.

A nossa ideia seria alterar ou recriar alguns dos interfaces que utilizamos diariamente nas nossas incursões a este espaço que é, simultaneamente, público e privado, criando as condições para que um conjunto de casas de banho públicas espalhadas pela cidade se tornassem em espaços performativos improvisados.

Aproveito para registar uma primeira concepção daquelas que poderiam ser algumas experiências multimédia desenvolvidas dentro deste espaço elaborada através da plataforma VUE (Visual Understanding Environment).

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